Morei 20 anos no Rio de Janeiro. Lá, não tínhamos a tradição da marmelada. Até hoje, marmelada lembra-me férias em Portugal. Isso porque não importava o mês que viéssemos de férias: a parte de cima dos armários de cozinha da minha avó tinham sempre uma fileirinha dos potes e taças mais variados possíveis cheinhos de marmelada feita por ela. A cobrir: papel vegetal embebido em aguardente e uma fitinha a prender com um nó e lacinho... ( fio, na verdade, que ela guardava sempre que trazia alguma coisa embrulhada quando ia à mercearia)
Era marmelada o ano todo que o meu avô (lambareiro como só ele) comia acompanhada de gordas fatias de bom queijo...
Semelhante a isso, da minha vida carioca, só posso comparar ao "Romeu e Julieta"... uma combinação de queijo com goiabada que, apesar de deliciosa, não tem essas lembranças de infância. Até porque... a goiabada era de compra!
E agora é a minha vez de seguir a tradição... muitos potes de marmelada, embora sem o requinte das tacinhas e lacinhos da minha avó. Já estão cobertas com papel vegetal embebido em aguardente. Como a balança não é amiga... nada de fileirinhas por cima dos armários... muitas já moram em outras casas e outras barrigas!
Bon apetit!



